
Tesouros de giz na Chapada do Araripe
O palco geológico de maior destaque no Estado é a Chapada do Araripe, com 8 mil km² de superfície e uma altitude média de 600m na divisa com o Ceará, consistindo em um dos principais sítios do Período Cretáceo do mundo. A região é especial pelos achados geológicos e paleontológicos desde os primeiros anos do Século XIX, com registros entre 110 e 70 milhões de anos, em excepcional estado de preservação e diversidade. No Araripe está mais de um terço de todos os registros de pterossauros descritos no mundo, mais de 20 ordens diferentes de insetos e a única notação da interação inseto-planta. Há similares destas mesmas espécies na África, vestígio de quando os continentes foram um só, formando a primaz Gondwanna (cerca de 36% do território brasileiro é constituído por marciços antigos que fizeram parte do supercontinente). Os fósseis da "Formação de Santana", um dos setores geológicos da Bacia do Araripe mais ricos em vestígios de peixes, evidenciam a época em que o Sertão era um imenso mar continental, entre 112 e 99 milhões de anos atrás.

A região, Pólo Gesseiro do Estado, respondendo por 95% da produção de gipsita no país, abriga atualmente o único geopark das Américas, o Geopark Araripe, aprovado e oficializado pela UNESCO em 2006 e formado por uma rede de 9 parques de proteção e preservação de registros geológicos, paleontológicos e paisagens naturais. Lá também está o excelente Museu de Palentologia da URCA, em Santana do Cariri (CE). A criação do Geopark e do Museu, bem como a atuação preventiva e repressiva da Polícia Federal, ajudou a inibir o contrabando internacional de fósseis nesta que é a maior reserva brasileira do tipo. Os “peixeiros”, como são conhecidos aqueles que exploram e comercializam clandestinamente os vestígios, a preços entre R$ 40 e 1.000 por peça, vendem-nos a atravessadores que os distribuem ao Primeiro Mundo, razão pela qual apenas 40% dos restos arqueológicos descobertos na Chapada permanecem no Brasil. Muitos deles estão em museus europeus e são reivindicados pelo Governo Federal.
Pré-história e misticismo no Vale do Catimbau
Controvérsias à parte, o certo é que há mais ou menos 12 mil anos, durante a transição entre os períodos Pleistoceno e Holoceno, boa parte do território brasileiro já estava ocupado por grupos de caçadores e coletores pré-históricos. Tais grupos são divididos pelos arqueólogos em tradições, estabelecidas de acordo com os resquícios de sua cultura material. À tradição Nordeste pertenciam aqueles que possuíam indústria lítica refinada e faziam belas pinturas rupestres. Há mais ou menos 7 mil anos atrás, esse grupo foi substituído pelas tribos da tradição Agreste, que não dominava as artes, exceto a da guerra. É a esse período de transição que remonta a presença humana mais antiga de que se tem notícia no Parque Nacional do Vale do Catimbau, o 2º maior parque arqueológico do Brasil, perdendo apenas para a Serra da Capivara, no Piauí. Em 1970 foi descoberto um esqueleto datando 6.800 anos em um abrigo utilizado como cemitério pré-histórico, atualmente em exposição no Museu Municipal de Buíque.

Segundo pesquisadores da UFPE, os antigos habitantes do lugar eram grupos caçadores-coletores do Período Holoceno que não apresentavam domínio da cerâmica e moravam em cavernas (tanto é que, das cerca de 200 grutas e cavernas existentes no Vale, pelo menos 28 guardam vestígios de sepultamentos). Dos 23 sítios arqueológicos com grafismos rupestres já catalogados pelo IPHAN no Parque, o maior e mais importante é o Alcobaça, situado em um paredão rochoso com configuração de anfiteatro. Lá foram encontradas pinturas rupestres em um painel de 60m, ocupando uma área de 50m de extensão com largura variando entre 2 e 3m. Já a pedra da Concha apresenta um painel de 2,3m por 1,5m, albergando inscrições com figuras humanas, animais e desenhos geométricos em tons ocre. São imagens isoladas que não compõem cenas, com predominância da tradição Agreste. Acredita-se que foram utilizados nas pinturas pigmentos metálicos e não metálicos misturados a pigmentos orgânicos, como genipapo e urucum.
Cemitérios arqueológicos na Furna do Estrago
Escavada pelos arqueólogos da UNICAP, a Furna do Estrago, abrigo sob rocha localizado no Município de Brejo da Madre de Deus, é um dos mais importantes sítios arqueológicos do Brasil. Formado pelo desabamento de um grande bloco de rocha granítica no sopé da Serra da Boa Vista durante as glaciações, o abrigo foi preenchido por blocos de rocha e sedimentos soltos pelo intemperismo físico, transportados em violentas precipitações torrenciais. Constituído por um único salão de 125m² de área coberta, com abertura voltada para nordeste, o abrigo é bastante arejado, seco e iluminado, e diante dele se estende um patamar delimitado por grandes blocos de rocha granítica, alguns contendo arte rupestre. Da sucessiva utilização do sítio como habitação por grupos caçadores-coletores numa seqüência temporal de aproximadamente 10 mil anos, resultou uma estratigrafia em que predominam as lentes de fogueiras superpostas, formando pacotes de cinzas, e sedimentos finos, soltos, secos, de cor parda, contendo restos alimentares e toscos artefatos de pedra e osso.

Estudos de antropologia biológica realizados sobre esses esqueletos revelaram tratar-se de uma população homogeneamente braquicéfala, de estatura média-baixa, robusta, com estado de nutrição satisfatório e boa adaptação às condições ambientais. O acentuado desgaste plano dos dentes e a ocorrência de poucas cáries nesses indivíduos indicam uma alimentação à base de vegetais não cozidos, característica observada em grupos caçadores coletores. Esse grupo humano pré-histórico era portador de patologias como a espinha bífida oculta, atribuída ao consumo de batatas tóxicas, variação numérica das vértebras (presença de uma vértebra a mais no sacro e na região lombar), conseqüência de casamentos consangüíneos, osteofitose e artrose, além de fraturas freqüentes decorrentes de quedas sobre a bacia e os pés. Boa parte do material resgatado na Furna, bem como artefatos em cerâmica, fragmentos de pinturas rupestres e material lítico, encontram-se em exposição nos Museus Histórico do Brejo da Madre de Deus e de Arqueologia da UNICAP, no Recife.
Outras coleções

Olheee... Tem muita trilha pra se fazer ainda! =D
ResponderExcluir